Malafaia

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz

De tempo em tempos noticias como:

Me fazem pensar, porque eu ainda estou no Brasil mesmo?

Tenho vontade de juntar minhas coisas e partir, pra Pasárgada, outro reino, outro país, mas nunca faço, alem dos motivos financeiros, a verdade é que gosto dessa terra, meus amigos e família estão aqui, minhas lembranças foram construídas nesse lugar.

Então quando vejo noticias assim, me bate uma tristeza e essa vontade de fugir, somos um país de contradições, “7ª” Economia do mundo e uma das maiores desigualdades sociais, onde um palhaço (profissional) é um dos deputados com maior presença e até mesmo ele está decepcionado com a politica.

O Estado é Laico.

Entretanto no Brasil laico está sendo confundido com teocrático (ao contrario da definição no dicionario informal) e como não podia deixar de ser uma religião está se sobrepondo as outras.

Infelizmente para mim (ateu) somos um pais de maioria católica e com fortes tendencias evangélicas, tendencia que por sinal vem crescendo em um ritmo assustadoramente alto e a medida que cresce está conseguindo mais poder, seja indiretamente com deputados, vereadores, etc, que são seguidores dessas crenças, até bancadas inteiras que se classificam como religiosas.

Se mantendo apenas nas classificações não haveria problemas, mas quando passam a decidir o futuro de todas as pessoas, baseadas nas crenças de um grupo a situação se complica, principalmente se essas crenças tem passagens que ferem diretamente grupos de pessoas.

Por exemplo: Casamento Homossexual, um dos principais argumentos contrários a essa união é que ela fere a santidade do casamento, não é necessária uma visita ao dicionario para sabermos que se trata de um motivo religioso.

Então mesmo que um casal homossexual não siga suas crenças ele não pode casar porque esse casamento por algum motivo é contrario a elas, estranho que um casamento civil tenha algo em comum com um casamento religioso.

Você não quer que eles se casem na sua igreja, simples não celebre o casamento, mas não impeça que os mesmos se casem num cartório e adquiram diante da lei, os mesmos direitos que qualquer outro casal.

Outro ponto que me espanta em nossa politica é essa capacidade de esquecer, políticos julgados, condenados e pegos em flagrante, estão simplesmente livres, exercendo cargos públicos e em alguns casos (como visto acima) decidindo se outros condenados devem ou não ser cassados (apesar de caçados ser algo mais interessante), a justiça é cega, mas a nossa alem de cega tem memoria curta.

Memoria curta alias que aparentemente se espalha pela população, afinal são as mesmas figurinhas carimbadas, que são eleitas ano após ano, brasileiro simplesmente não lembra, ou não liga muito.

Mas de tempos em tempos, a esperança retorna e o gigante adormecido se levanta, (meio letárgico, mas se levanta) no caso mais recente a eleição do Marco Feliciano a presidência da Comissão de Direitos Humanos, levantou a população (pelo menos uma parte) e a pressão popular está quase o derrubando.

Mas esse é apenas o começo, se nos levantarmos, conseguirmos um objetivo e voltarmos a dormir nunca avançaremos, derrubar um em cem ou mil não faz uma grande diferença, mas é um inicio.

Quem sabe assim o Brasil não possa ser Pasárgada.

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