Meus votos para o Ano-novo

O ano finalmente chega a seu fim, chegamos aquele momento em que fazemos nossos votos e desejos para as pessoas no ano que virá, como não podia deixar de ser também farei aqui os meus.

Não gosto muito dessa idéia de desejar muita paz e muita luz, não apenas por odiar clichês, mas também por não achar esse um desejo valido, muita luz você consegue comprando uma lâmpada melhor e paz só é possível vivendo feliz.

A felicidade é outra coisa muito desejada, mas só é feliz quem quer, você escolhe seu caminho e portanto apenas você pode conseguir a sua felicidade, não desejo dinheiro por apesar de assegurar muitas facilidades, ele também trás problemas e a ganancia leva a ruina.

Não desejo uma vida tranqüila pois sem as atribulações de nossas vidas ela não teria graça, não desejo que você não sofra ou passe por momentos ruins, afinal o que seria os bons momentos e a tranqüilidade, se não sentíssemos as amarguras para podermos compara-las.

Portanto tudo o que eu posso desejar é que você viva, conheça todas as facetas que o dia pode lhe mostrar,  que conheça a noite e seus prazeres, que descubra algo novo, redescubra algo velho e que esqueça algo do agora, apenas para ter o prazer de redescobrir em um momento futuro.

Esses são meus votos para vocês, vou deixar também o poema “Os votos” de Sérgio Jockymann, vale a pena dar uma lida basta clicar em leia mais logo abaixo.

“Desejo” ou “Os votos”

Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, também seja amado,
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis,
E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos, nem poucos,
mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo, depois, que você seja útil, mas não insubstituivelmente útil, mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que essa tolerância, não se transforme em aplauso nem em permissividade,
Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que, sendo velho, não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
E é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo, nem em um mês e muito menos numa semana,
Mas apenas por um dia. Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,
Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
E que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimento um cão e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer
triunfante o seu canto matinal;
Porque assim você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:
“Isso é meu”. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,
não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você,
Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo, por fim, que sendo mulher, você tenha um bom homem,
E que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,
E novamente, de agora até o próximo ano acabar,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor para recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar.

– Sérgio Jockymann

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